quarta-feira, 2 de março de 2011

tudo de novo.
vou morrer inconstante.

sem saber o rumo.

vai ver é isso. vai ver luto contra o que me define.
o locutor anuncia a frente fria da semana.
mas a notícia é ironicamente desnecessária.
já estamos vivendo os dias cinzas...
as janelas já estão com as insistentes cortinas de gotinhas.
que relações manter?
tsc... no fim não me resta nenhuma mesmo.
vai ver é isso.
ir esquecendo. e isso não quer dizer "seguir adiante".
é um "enquanto eu sorrir ainda posso esquecer".
o 'grande olho que tudo vê' só não percebe a minha completa inaptidão pra tudo isso.
como estou?
como é que eu vou saber?
como eu poderia saber se eu nem entendo?
se eu nem sinto como realidade?
um dia procurando estrelas cadentes deitada na calçada,
disse a uma amiga que gostaria de saber onde é o "fim da linha".
ela sorriu "acho que não tem fim não... a minha vai é torar".
então compartilhamos da gargalhada dos desesperados,
cada uma com seus medos.
há dias não vejo estrelas.
meus medos... tsc.
queria poder fazer como clementine*.
ou correr por três anos seguidos como forrest gump.
ou como charlotte** ser compreendida por um estranho com vazios em comum.
esquecer...

* eterno brilho de uma mente sem lembranças
** encontros e desencontros

terça-feira, 1 de março de 2011

"uma vez eu tive uma ilusão"
bastavam três palavras.
bastava um sentimento.
bastava verdade...
mas nunca houve.
dois mil quilômetros.
cem bilhões de neurônios.
um único pensamento.
meu erro.
você.
"Por ella no supe que hacer... y se me fue"*.

*Julieta Venegas

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

no céu outras e tantas estrelas.
um chão confortável a abraçar.
nem dores de corpo.
nem mágoas de alma.
cheiro de chuva... sem gotas caírem.
o vento sutil do farfalhar das asas de borboletas vermelhas.
o gosto de água.
não há som algum.
nem pensamentos.
nem tempo.

basta fechar os olhos do coração.

domingo, 19 de setembro de 2010

certos eventos nos fazem lembrar os motivos de termos feito certas escolhas.
ando tão cansada.
sozinha.
cercada de pessoas e ainda assim, sozinha.
"distraindo a verdade, enganando o coração".
me odeio por às vezes ser fraca.
me odeio por na maioria das vezes demonstrar ser forte.
não sou nada.
minhas frustrações me ensinaram a não ter expectativas.
mas meus efêmeros momentos de ilusão me aliviam do peso de não acreditar.
é tão irônico... precisamos confiar nas pessoas, mas pessoas, simplesmente pelo fato de serem, traem, decepcionam.
é impossível evitar a decepção.
dói.
e sangra incolor pelos olhos.
e o tempo estanca.
"eu queria manter cada corte em carne viva".

sábado, 28 de agosto de 2010

espero por coisas que não vão vir.
espero que essas mesmas coisas aconteçam
sem que pra isso me ocupe em prepará-las.
elas não virão.
mas me perco em horas de expectativas... obviamente vãs.
decepciono-me. dou-me ao direito.
nunca decidirei.
nunca serei direta.
nunca falarei o que me faz engasgar.
nunca direi os motivos.
nunca será possível.
ainda assim... vou esperar.
esperar que seja por pouco tempo.
esperar que não chegue.
porque se chegar, deixarei ir.
farei com que vá.
ou irei.
sempre na direção contrária.

terça-feira, 14 de abril de 2009

apaixono-me por nadas.
como pela pingo d’ouro em minha sacada.
não sei se pelo amarelo ou pela delicadeza.
se pelos ramos solitários que se estendem únicos,
cada qual a sua maneira.
não sei.
como não se sabe como se apaixona.
e como a cada vez em que as pétalas começam a cair,
penso que demorarei a vê-las novamente,
quando revê-las voltarei a pensar: “porquê me apaixonei?”
mas a sutileza jamais apreendida não me responderá.
creio que se soubesse a resposta, não voltaria a olhá-las novamente.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Tempo e Distância

Dia em que pensei: no fundo, isso é destino... E é tão sutil... Como deveria mesmo ser.
É de repente: todos com o mesmo aspecto martelante em cena na vida.
E aí, quando todos eles, partes da minha vida, se aproximam a me perguntarem, entendo algumas coisas.
Tempo.
“Isso está em segundo plano!”
“Pois é, foi embora...”
Também eu vivia a repetir isso, até outro dia atrás... Assim como hoje digo que é agora, agora e agora... Precisa ser agora.
Com o tempo aprendi que ele não está lá... Que é mentira.
E, talvez, não tenha sido ele quem, de fato, me ensinou. Pode ter sido a distância, o pânico de despedidas. Nunca se sabe.
Distância.
Maurício, dia desses, chegou em casa com panfleto de concurso de poesias.
“Escreve alguma coisa aí!” (algo assim).
Tema livre. Virou brincadeira.
“Pensa em um tema!”
“Despedida” (eu disse).
Saiu merda.
Mas me fez pensar um pouco mais (Penso em qualquer coisa. Tudo com séria responsabilidade. Mania besta).
Pensei: quando a gente tem prazo é outra história. Quando a gente percebe que aquele tempo programado, pluft! Desaparece! Resta fazer o que der, do jeito que for e der, porque... Bem... Depois? Seremos outros. Outros planos, outros sentimentos, outros... Um pouco estranhos, um pouco os mesmos, mas essencialmente outros.
E aí, distância, despedida, me ensinaram: agora, agora, agora...
Meu sobrinho de dois anos também me ajudou nisso. Só hoje ele me chama de “Manãna” e me dá um beijinho de esquimó quando acorda do meu lado e diz “denguinho!”. Só hoje ele cabe em meu colo. E mesmo assim, às vezes, só me lembrava disso nos dias de febrão!
Então agora quero tudo do jeito que der pra ser agora. Seja bom ou ruim.
Enxaqueca e depressão também, na real, ensinam: agora eu vomito. Agora eu sei que já perdi e que faz parte de mim este pedaço que falta, mas... Ainda tem o outro!
Tempo, distância, despedida, sobrinho, enxaqueca, depressão.
Todos com o mesmo tema.
Primos, amigos, (meu deus como referir-me aos meus rolos?) Eles.
Mãe, pai, irmãos, meio-irmãos.
Isso é destino mariana. Estava aí o tempo todo.
Eu sei. Mas, só agora, dei-me conta.
Agora.
Isso foi a psicóloga quem me ensinou (risos)... Continua ensinando... A última também foi algo do gênero.
“... é... existem pessoas assim mesmo... que se perdem a perguntar pra quê que a gente faz tanta coisa na vida: come, trabalha, estuda, dorme, faz isso todo dia até se aposentar, ou não. E essas pessoas geralmente acabam esquecendo de viver as coisas do meio pra tentar descobrirem porque querem fazer isso ou não.”
(psicóloga tentando me ensinar a não queimar etapas... Não mais. Não fugir... ensinando-me que meus objetivos não têm somente início e fim.)
Isso é destino. São as pessoas finalmente aparecendo mais claramente à mim.Sou eu, só agora, pronta pra tentar me aproximar um pouco mais.
E quando escuto: “Sabia que sinto tua falta?” chego a pensar em acreditar, só pra experimentar que a outra parte, a que sobrou, existe. Realmente acreditei por seis anos que não.
Por mais que tudo isso seja agora... (e pode não ser daqui a um tempo) ... É tão bonito. Tão sutil como deveria mesmo ser.

Ah! Aquilo, que não se preocupem juízes, não participará do concurso de poesias:


DESPEDIDA

Medir e Pesar.
Às pressas, dei-me conta:
Não há tempo.
Não há embalagens para a vida.

Medir, a distância.
Pesar, a dor.

Deixar um pedaço.
Pelo meio.
Dei-me conta: Levarei um espaço vazio.
Porque não há escolha: Ele agora faz parte.

Dei-me conta de que acreditei no tempo.
E ele me ensinou a chorar.

Dei-me conta que aprendi a acreditar em outras coisas.
À conjugar tempos.
Acredito que o medo passa.
Que antes o medo à distância.

Porque no fim, na despedida
O que resta: somente Pesos e Medidas.